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‘Nunca tivemos um candidato à Presidência com uma ficha criminal dessa natureza’, diz Solla sobre Flávio Bolsonaro
O deputado federal reeleito Jorge Solla (PT-BA) acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ampliar sua votação na Bahia no segundo turno das eleições presidenciais.
Apesar de o líder petista ter recebido pouco mais de 66% dos votos do baianos no primeiro turno, o parlamentar avalia que o estado tem condições de repetir o porcentual alcançado pelo petista no pleito anterior, quando Lula obteve cerca de 72% dos votos válidos.
“Acho que a expectativa de crescimento do estado é positiva. Acho que dá para a gente chegar no mesmo patamar da eleição passada”, estimou Solla, em entrevista ao Blog do Vila.
Na avaliação do congressista, a abstenção registrada em Salvador no primeiro turno também pode influenciar o resultado da disputa. Ele acredita que a mobilização de eleitores que não compareceram às urnas ou que tradicionalmente não participam de forma ativa das campanhas pode favorecer o presidente.
Dos 1.955.479 eleitores aptos a votar na capital, 393.886 não compareceram no 1º turno, o que corresponde a uma abstenção de 20,14%.
“Em Salvador teve um quantitativo grande de abstenção. E isso pode facilitar essa mudança aí do porcentual de votos”, calculou.
Solla critica adversários e faz alerta sobre cenário nacional
O parlamentar também afirmou que tem percebido preocupação entre eleitores que, segundo ele, não costumam se manifestar publicamente durante o processo eleitoral.
Solla relacionou o movimento ao cenário político nacional, fez críticas ao campo adversário de Lula e alertou para a formação do próximo Congresso Nacional, formado majoritariamente por representantes do campo conservador.
“Nunca tivemos um candidato à Presidência com uma ficha criminal dessa natureza, dessa magnitude, que com certeza poderia transformar não só um país onde ele não terá freio de nenhuma medida autoritária e de destruição de políticas e direitos, como também pode viabilizar o que há muito tempo eles querem que é estender o controle das milícias para além do Rio de Janeiro”, apontou.
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações e já foi denunciado em diferentes apurações. Entre os casos estão o inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que apura suspeitas de lavagem de capitais, evasão de divisas e corrupção relacionadas a recursos que envolveriam o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, e o caso das chamadas “rachadinhas”, no qual as denúncias foram arquivadas após tribunais considerarem ilegais as provas utilizadas na investigação.
Também há questionamentos sobre o envio de emendas parlamentares a uma ONG ligada aos irmãos Brazão, acusados pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), e críticas a homenagens concedidas, quando era deputado estadual, a policiais militares investigados por envolvimento com milícias. O presidenciável nega irregularidades e afirma que as acusações têm motivação política.
Deputado alerta para possível impacto na Bahia
Solla também criticou declarações do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) sobre os efeitos positivos de uma eventual derrota de Lula para os interesses políticos da Bahia. De acordo com o petista, ao contrário, o resultado da eleição presidencial poderia ter consequências danosas para a relação entre o governo federal e o estado.
“Uma derrota de Lula hoje vai significar que ele vai conseguir fazer no governo federal o que o avô praticou no passado: suspender repasses e passar o torniquete em todas as políticas de repasse financeiro para o estado da Bahia”, afirmou.
O deputado interpretou o cenário como uma ameaça ao financiamento de políticas públicas estaduais e associou a possibilidade a interesses políticos do ex-prefeito d Salvador, que é cotado para compor o ministério em um eventual mandato de Flávio Bolsonaro.
Solla também defendeu que a campanha petista continue a apresentar suas propostas e objetivos ao eleitorado. Para ele, o esclarecimento sobre as consequências de cada projeto político pode contribuir para ampliar a mobilização na reta final da disputa.
A Bahia é considerada um dos principais redutos eleitorais de Lula, que busca ampliar sua votação no estado no segundo turno. A campanha presidencial entra na fase decisiva com os dois grupos políticos intensificando as ações para conquistar eleitores e reduzir a abstenção. Enquanto Flávio fará comício no Farol da Barra no próximo sábado (17), Lula ainda não definiu quando retornará à Bahia durante o segundo turno.
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