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Governo Lula oficializa repasse de R$ 3 bilhões para Ponte Salvador-Itaparica
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou, nesta terça-feira (13), um compromisso de R$ 3 bilhões para a construção da Ponte Salvador-Itaparica, um dos maiores projetos de infraestrutura da Bahia. O acordo foi firmado entre o Ministério dos Transportes e o Governo do Estado, estabelecendo responsabilidades para a destinação e aplicação dos recursos federais.
O documento foi assinado em Brasília pelo ministro dos Transportes, George Santoro, e pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). A iniciativa representa uma nova etapa no financiamento do empreendimento, que pretende estabelecer uma ligação rodoviária direta entre Salvador e a Ilha de Itaparica.
Apesar da formalização do aporte, a assinatura do termo não significa que os R$ 3 bilhões já tenham sido integralmente transferidos aos cofres estaduais. A liberação dos recursos deverá observar as condições estabelecidas no acordo, incluindo documentação, planejamento e acompanhamento da execução.
Otto Alencar anuncia acordo e destaca participação do governo federal
O senador Otto Alencar (PSD) divulgou a assinatura do compromisso em suas redes sociais e destacou a articulação entre os governos federal e estadual para viabilizar o projeto.
A cerimônia também contou com a participação da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, dos senadores eleitos Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT), do secretário estadual de Infraestrutura, Saulo Pontes, e do secretário da Casa Civil da Bahia, Eracy Lafuente.
Para Otto Alencar, o acordo representa um avanço na estruturação financeira da obra e na busca por investimentos para ampliar a infraestrutura de transporte da Bahia.
O projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e faz parte de uma parceria público-privada (PPP) conduzida pelo Governo da Bahia.
Ponte terá 12,4 quilômetros e poderá reduzir travessia para 15 minutos
A Ponte Salvador-Itaparica terá aproximadamente 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, ligando a capital baiana ao município de Vera Cruz.
Segundo estimativas do Ministério dos Transportes, a nova estrutura poderá reduzir para cerca de 15 minutos uma travessia que atualmente leva aproximadamente uma hora pelo sistema ferry-boat, sem considerar possíveis períodos de espera pelo embarque.
O projeto também prevê melhorias nas conexões rodoviárias para facilitar o deslocamento entre Salvador, o Recôncavo Baiano, o Baixo Sul, o Extremo Sul e outras regiões do estado.
A expectativa oficial é de que a infraestrutura beneficie aproximadamente 250 municípios e contribua para reduzir em até 200 quilômetros determinadas rotas utilizadas no transporte de cargas.
Além da mobilidade, o governo estadual aposta no empreendimento como instrumento para estimular investimentos, fortalecer o turismo e ampliar a atividade econômica em municípios do interior.
Os benefícios projetados, entretanto, dependerão da conclusão da obra, da integração com a malha rodoviária e das condições de operação do novo sistema.
Governo federal e estado terão responsabilidades diferentes
O Termo de Compromisso estabelece obrigações específicas para cada esfera de governo.
Ao Ministério dos Transportes caberá aprovar o Plano de Trabalho e a documentação exigida, assegurar a destinação dos recursos orçamentários, acompanhar o cumprimento das condições estabelecidas e analisar a prestação de contas.
O Governo da Bahia será responsável por garantir os projetos, as licenças e as demais condições necessárias à execução do empreendimento.
Também caberá ao estado fiscalizar o andamento dos serviços, acompanhar as etapas previstas e prestar contas sobre a utilização dos recursos recebidos.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) participará do acordo como interveniente.
A execução das obras ficará a cargo da concessionária responsável pela parceria público-privada, conforme os projetos aprovados e as obrigações estabelecidas no contrato.
Projeto foi anunciado há anos e enfrenta cobranças por sua execução
A construção da Ponte Salvador-Itaparica é discutida há anos e passou por diferentes etapas de planejamento, estruturação financeira e adequações contratuais.
O empreendimento ganhou força com a concessão realizada em 2019, quando um consórcio de empresas chinesas assumiu a responsabilidade pela implantação e operação do sistema.
Desde então, o projeto enfrentou desafios relacionados à engenharia, aos custos, ao licenciamento e à estruturação dos investimentos necessários.
Em julho de 2026, Lula e Jerônimo participaram de uma cerimônia simbólica de cravação da primeira estaca, no município de Vera Cruz. Na ocasião, também foi assinado um protocolo de intenções relacionado à transferência de recursos federais.
A formalização do compromisso de R$ 3 bilhões, em outubro, representa um desdobramento daquele entendimento.
Entretanto, o novo acordo não elimina a necessidade de acompanhamento das etapas de execução, dos desembolsos e do cumprimento do cronograma anunciado.
Previsão de conclusão é para 2031
De acordo com informações divulgadas pelo governo baiano e repercutidas pela agência Reuters, a previsão é de que a construção seja concluída em meados de 2031.
O empreendimento é considerado um dos maiores projetos de infraestrutura rodoviária do país e deverá formar uma importante ligação entre Salvador e diferentes regiões da Bahia.
Quando concluída, a ponte poderá se tornar a maior estrutura da América Latina sobre lâmina d’água, segundo as características apresentadas pelo governo.
Apesar das expectativas, o prazo dependerá do avanço das obras, da disponibilidade dos recursos, das condições técnicas e do cumprimento das etapas contratuais.
Compromisso financeiro não significa obra concluída
A assinatura do termo representa uma garantia formal de participação financeira da União no projeto, mas ainda será necessário transformar os recursos previstos em desembolsos e serviços efetivamente realizados.
O andamento da Ponte Salvador-Itaparica continuará dependendo da execução da parceria público-privada, do acompanhamento dos órgãos de fiscalização e da capacidade de cumprir o cronograma estabelecido.
Para os baianos, a principal expectativa permanece concentrada na entrega de uma ligação rodoviária capaz de reduzir o tempo de deslocamento, ampliar as alternativas de transporte e melhorar a integração entre a capital e o interior.
Com a nova formalização, os governos federal e estadual assumem mais uma etapa de responsabilidade sobre um empreendimento cuja conclusão ainda está prevista para os próximos anos.
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