Política
‘Somos campeões nacionais em crianças internadas por desnutrição infantil’, condena Tiago Correia
O deputado estadual Tiago Correia (PSDB), líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia e presidente do partido no estado, fez um duro diagnóstico dos cenários político e administrativo da Bahia durante entrevista à CBN Salvador.
Em tom crítico, ele rebateu declarações recentes do ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), questionou os resultados dos governos petistas na Bahia e indicou que a oposição deve caminhar com liberdade no primeiro turno da disputa presidencial.
Ao comentar a fala do ex-governador sobre “oligarquias” e “controle das mídias”, o tucano classificou o discurso como ultrapassado e acusou o grupo governista de construir versões políticas para influenciar a opinião pública.
“Não vai ser uma guerra de verdades, e sim de narrativas. Criam um discurso, repetem massivamente e aquilo termina virando verdade, mas quando você confronta com a realidade, não se sustenta. […] Nós tivemos um aparelhamento, pode-se dizer, de toda a mídia do Estado, e ela existe de maneira muito pesada até hoje, não só nas televisões, mas nas rádios e nos blogs. Não entendi bem o que ele quis dizer, mas o que a gente vê é quase a totalidade da mídia comprada pelo governo. E aí a gente vê um ex-governador falar de perpetuação de poder de oligarquia quando eles estão há 20 anos comandando o nosso estado, entregando resultados pífios”, apontou.
Avaliação do governo e disputa estadual
Tiago Correia traçou um quadro negativo da gestão estadual, ao apontar problemas em áreas como segurança pública, saúde, educação e economia. Ele afirmou que os indicadores sociais da Bahia permanecem entre os piores do país após duas décadas de governos do PT.
“A Bahia é campeã nacional em desemprego, violência e extrema pobreza. Esses não são dados narrativos, são números. Nós somos campeões nacionais em crianças internadas por desnutrição infantil. Nós não estamos falando da África, e sim da Bahia. De cada 100 crianças baianas, 77 vivem a pobreza em uma de suas dimensões. Nós somos o estado com a pior política pública para mulheres. Quando nós vemos diversas ativistas da esquerda levantando a bandeira de defesa da mulher, a Bahia é o pior estado. Nós somos o 24º estado em competitividade. Então nós temos indicadores muito ruins nesses 20 anos de governo do PT. E eu peço para apontar um indicador que eles conseguiram melhorar”, declarou.
O deputado também avaliou que o cenário eleitoral atual difere do último pleito, ao citar maior desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aumento da reprovação ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
“Hoje nós temos um cenário completamente diferente. O eleitor já conhece o governo e sente no bolso os efeitos da gestão”, disse.
Críticas à gestão Jerônimo
Apesar de reconhecer relatos positivos sobre o perfil pessoal de Jerônimo Rodrigues, Correia afirmou que o governo carece de identidade própria e sofre com disputas internas.
“Jerônimo não conseguiu criar uma marca de governo. Existe uma disputa de protagonismo entre Rui Costa e Jaques Wagner, e isso deixa a gestão desorganizada”, avaliou.
Ele também criticou a condução administrativa.
“É um governo sem coordenação, sem planejamento. Obras anunciadas não são entregues e muitas nem saem do papel”, afirmou.
Palanque aberto e cenário presidencial
Sobre o comportamento da oposição na eleição presidencial, Correia afirmou que a tendência é de liberdade entre os aliados de ACM Neto no primeiro turno.
“Dada a diversidade de posicionamentos, ninguém vai botar o revólver na cabeça de ninguém. Cada um deve apoiar quem quiser neste primeiro momento”, pontuou.
Ele destacou que há diferentes preferências dentro do grupo — ao citar nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) — e avaliou que uma convergência deve ocorrer apenas em um eventual segundo turno.
“No segundo turno, todo o grupo vai marchar unido contra o presidente Lula”, completou.
Comunicação e estratégia eleitoral
Por fim, Correia afirmou que o principal desafio da oposição será fazer com que dados e indicadores cheguem ao eleitor comum, especialmente no interior do estado.
“Quando chega no final do mês e o dinheiro não dá para comprar o que comprava antes, não tem narrativa que resista. O eleitor sente no bolso”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
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