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Marcelo Nilo adia divulgação de suposto dossiê contra presidente do TRE-BA

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Foto: Luiz Henrique / CBN

O deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos-BA) adiou a divulgação de um suposto dossiê com informações contra o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer.

O parlamentar havia anunciado que apresentaria o material nesta segunda-feira (17), mas, durante entrevista coletiva realizada no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador, informou que pretende levar o conteúdo à tribuna da Câmara dos Deputados na próxima sessão com espaço para pronunciamentos.

De acordo com ele, a decisão ocorreu por orientação de seus advogados. O deputado afirmou que a estratégia seria apresentar o material no plenário da Câmara, onde, segundo ele, estaria protegido pelas prerrogativas parlamentares.

“Eu vou discursar na tribuna com esse dossiê. Meus advogados pediram que eu não passasse aqui, porque as coisas são muito graves. Discursando na tribuna, eu tenho imunidade” , declarou.

Nilo disse ainda que o documento reúne informações antigas e novas e que teria recebido materiais de diferentes pessoas ligadas ao Judiciário, inclusive integrantes da advocacia e magistrados.

O deputado, no entanto, afirmou que não confirmou a veracidade de todo o conteúdo.

“Eu nunca li, porque eu não sou Ministério Público. Se é verdade, se é mentira, não é problema meu. O Ministério Público está analisando”, afirmou.

Acusações contra desembargador

Durante a entrevista, Marcelo Nilo fez uma série de acusações contra Maurício Kertzman e afirmou que o desembargador atuaria de maneira contrária aos seus interesses em processos eleitorais.

O parlamentar disse que, inicialmente, obteve decisões favoráveis no TRE-BA por placares apertados, mas que o cenário teria mudado após alterações na composição dos julgamentos.

Conforme Nilo, magistrados que teriam proximidade com Kertzman passaram a integrar os julgamentos, o que, na avaliação dele, teria contribuído para a mudança dos resultados.

“Aí começou a tirar um juiz, entrar o outro, entrar o outro muito próximo ao Maurício. Eu comecei a perder de 4 a 3”, suspeitou.

Nilo também relacionou o suposto tratamento desfavorável a críticas que fez publicamente ao candidato ao Senado Rui Costa (PT) e ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), postulante à reeleição.

O deputado afirmou ter conhecimento de uma suposta relação política entre Kertzman e integrantes do grupo ligado ao ex-ministro da Casa Civil, mas não apresentou, durante a coletiva, documentos que comprovassem as acusações.

Supostos recursos no exterior

Sem detalhar o conteúdo do material, Marcelo Nilo afirmou que o suposto dossiê traria informações sobre recursos que estariam em contas no exterior atribuídas ao desembargador.

O parlamentar reforçou, entretanto, que não teria confirmado a autenticidade das informações e que caberia às autoridades investigar o conteúdo.

“Aqui tem informações gravíssimas, novas, velhas, de tudo”, disse.

Nilo também afirmou que pretende apresentar o material com o objetivo de questionar uma eventual indicação de Maurício Kertzman para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“Eu vou discursar na tribuna, vou mostrar que ele é um homem que não pode ser ministro do STJ, como dois e dois são quatro, e só falo com provas”, declarou.

Conflito ganhou repercussão na última semana

O embate entre Marcelo Nilo e Maurício Kertzman ganhou repercussão na última semana, depois que o presidente do TRE-BA divulgou, durante uma sessão do tribunal, um áudio enviado pelo deputado.

Na gravação, Nilo questionava a atuação do desembargador em processos relacionados ao seu nome e mencionava a existência de um suposto dossiê contra o magistrado.

A divulgação do áudio ampliou a crise entre o parlamentar e o presidente da Corte eleitoral baiana.

Kertzman é desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia e já integrou anteriormente o TRE-BA como representante da classe dos juristas. Em 2013, ao reassumir uma vaga na Corte eleitoral, afirmou que julgaria os processos de acordo com sua convicção e com a legislação.

Nilo nega articulação política

Questionado sobre uma eventual participação do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) na iniciativa, Marcelo Nilo negou ter conversado com os dois sobre o assunto.

O deputado também rejeitou a possibilidade de que a divulgação do material esteja relacionada a uma articulação política de aliados.

“Eu juro pela felicidade dos meus netos que eu nunca toquei esse assunto”, afirmou.

Nilo disse ainda que, neste momento, não pretende encaminhar diretamente o suposto dossiê ao Ministério Público da Bahia. Segundo ele, após a divulgação na Câmara, caberá às autoridades analisar o conteúdo e decidir sobre eventuais providências.

Marcelo Nilo exerce atualmente mandato de deputado federal como suplente em exercício pelo Republicanos da Bahia.

Com informações do repórter Luiz Henrique, da CBN Salvador. 

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