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Fátima Nunes minimiza insatisfação no PT com Rowenna Brito e cobra mais espaço para mulheres na política baiana
A deputada estadual Fátima Nunes (PT), primeira vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), minimizou as queixas internas de parlamentares governistas sobre o crescimento político da ex-secretária estadual da Educação, Rowenna Brito.
A professora é apontada nos bastidores como a aposta do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para a disputa proporcional deste ano.
Em entrevista à Feliz FM 98,3, a parlamentar reconheceu haver “ansiedade” dentro da base aliada, mas evitou alimentar críticas à pré-candidata petista.
“Às vezes alguns falam, mas não são tantos não”, afirmou, ao ser questionada sobre a insatisfação de deputados com o espaço ocupado pela correligionária no governo e em agendas institucionais.
Nos corredores da Alba, deputados estaduais reclamam que a ex-titular da SEC teria sido favorecida pelo Palácio de Ondina em eventos, agendas do programa de governo participativo e reuniões com gestores da educação estadual.
“Eu tenho o que muitos não têm”
Sem citar nomes, Fátima Nunes afirmou que não se sente prejudicada pela movimentação política de novos quadros ligados ao governo estadual e destacou sua trajetória política construída ao longo de seis mandatos consecutivos.
“Eu tenho o que muitos não têm. Eu tenho seis mandatos, tenho um povo que me segue porque acredita na força do meu trabalho”, declarou.
A deputada também afirmou que nunca contou com “amigos” da política e disse que sua principal base é o reconhecimento popular no interior da Bahia.
“Eu não tenho capital financeiro nem padrinho político. Tenho um povo que acredita na minha voz representando o sertão e o litoral”, disse.
Segundo ela, o fato de alguém ter ocupado cargo de governo não garante automaticamente sucesso eleitoral.
“O mandato é fruto daquilo que o eleitor olha para você, acredita e confia. Não é só porque passou por um posto de governo”, pontuou.
Vice-presidente da Alba cobra mais mulheres na política
Durante a entrevista, Fátima Nunes também fez uma reflexão sobre a baixa participação feminina nas chapas majoritárias da Bahia e afirmou que o debate praticamente nunca avançou no estado, inclusive dentro do próprio PT.
“O PT nunca colocou uma mulher na chapa majoritária para o governo da Bahia”, admitiu.
A parlamentar lembrou que ela e a presidente da Assembleia, Ivana Bastos (PSD), protagonizam um momento histórico na Alba, já que pela primeira vez em quase 200 anos a Casa tem uma mulher presidente e uma mulher vice-presidente.
Apesar disso, ela reconheceu que o espaço feminino nas disputas principais segue reduzido.
“Olhar para a chapa com Jerônimo Rodrigues, Geraldo Júnior, Jaques Wagner e Rui Costa é o retrato da realidade. Não tem como transversar”, afirmou.
“Nas cadeiras da frente chegam logo os homens e sentam”
Ao comentar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na política, Fátima fez um relato pessoal e citou episódios recentes em eventos oficiais.
“Nas cadeiras da frente chegam logo os homens e sentam”, criticou.
A deputada contou, como exemplo, ter participado recentemente da abertura de um seminário da agricultura familiar no Centro de Convenções de Salvador em que era a única mulher na mesa principal do evento.
“Naturalmente esses órgãos têm mulheres, mas quem senta na mesa são os homens”, lamentou.
Fátima ainda afirmou que ser mulher e oriunda da zona rural torna o desafio político ainda maior. “Não é fácil ser mulher da roça, como eu sou”, declarou.
Defesa do governo Jerônimo Rodrigues
Questionada sobre o cenário eleitoral, Fátima Nunes demonstrou confiança na reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e afirmou que o petista governa com sensibilidade social.
“Jerônimo é um cara combativo, corajoso e determinado”, afirmou.
A deputada argumentou que os governos do PT transformaram a realidade do interior baiano nas últimas duas décadas, ao citar investimentos em estradas, universidades, agricultura familiar e acesso à água.
“Antigamente, agricultor pequeno não entrava nem em banco. Não tinha política pública para essa turma”, ressaltou.
Ao ser provocada sobre o fato de o PT comandar a Bahia há quase 20 anos, Fátima rebateu ao falar das dificuldades históricas do estado antes da chegada do partido ao poder.
“Esses últimos 20 anos alteraram completamente essa realidade”, declarou.
Pré-candidata ao sétimo mandato
Fátima confirmou que disputará a reeleição para a Assembleia Legislativa e tentará conquistar o sétimo mandato consecutivo.
“Vou para o sétimo mandato, se Deus quiser e o povo quiser”, afirmou.
A parlamentar ainda brincou sobre o futuro político e disse que pretende continuar disputando eleições enquanto tiver disposição.
“Quem sabe, quando eu tiver 80 anos, disputar Senado ou Câmara Federal?”, indagou, aos risos.
Fonte: Blog do Vila


