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Empresa ligada a construtora supostamente favorecida por Lulinha participa de obras bilionárias na Bahia
O grupo Mota-Engil, controlador da Empresa Construtora Brasil (ECB), citada em denúncias de suposto favorecimento envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participa de grandes empreendimentos de infraestrutura na Bahia. Entre os projetos estão obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e a concessão da Rota dos Sertões.
A empresa passou a receber atenção no noticiário político após declarações da lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal, durante entrevista à CNN Brasil. Segundo ela, Lulinha teria ajudado a construtora a obter contratos com o governo federal.
Roberta afirmou que Amauri Rodrigues Pinha, presidente da ECB, é vizinho do filho do presidente e declarou ter conhecimento de uma suposta atuação de Lulinha em favor da empresa. As acusações ainda não foram comprovadas.
Grupo participa de obra de R$ 791 milhões no VLT de Salvador
Uma das principais obras com participação da Mota-Engil na Bahia é o terceiro trecho do VLT de Salvador, que ligará Águas Claras a Piatã.
A empresa integra o Consórcio Bahia Atlântico, ao lado da espanhola OHLA e da baiana Meir. O contrato prevê a construção de aproximadamente dez quilômetros de linha, nove paradas e integração com a estação de metrô do Bairro da Paz.
O empreendimento está orçado em R$ 791 milhões e possui prazo contratual de execução de 50 meses.
Mota-Engil integra concessão rodoviária de R$ 8,5 bilhões
O grupo também participa do Consórcio 116 Sertões, responsável pela concessão da Rota dos Sertões, corredor rodoviário de aproximadamente 502 quilômetros que conecta Feira de Santana, na Bahia, a Salgueiro, em Pernambuco.
A parceria prevê investimentos estimados em R$ 8,5 bilhões ao longo de 30 anos de contrato.
Desse montante, aproximadamente R$ 4,1 bilhões serão destinados a obras de ampliação e modernização da infraestrutura rodoviária.
O consórcio também conta com a participação da Galapagos Capital e da Neo Invest, vinculada ao grupo baiano Novonor, antigo Odebrecht.
Grupo possui ligação societária com empresa envolvida na Ponte Salvador-Itaparica
A Mota-Engil tem entre seus principais acionistas a empresa portuguesa Mota – Gestão e Participações e a China Communications Construction Company (CCCC).
A companhia chinesa integra o consórcio responsável pelo projeto da Ponte Salvador-Itaparica, um dos maiores empreendimentos de infraestrutura planejados para a Bahia.
A ligação entre as companhias é societária e não significa que a ECB tenha sido contratada diretamente para executar a ponte.
Grupo negocia novos investimentos na Bahia
Além dos contratos existentes, a Mota-Engil negocia a aquisição da Bahia Mineração (Bamin), empresa responsável por projetos estratégicos no estado.
Caso a operação seja concluída, o grupo poderá assumir empreendimentos como o primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o Porto Sul, em Ilhéus, e a mina de ferro Pedra de Ferro, em Caetité.
Esses projetos envolvem investimentos estimados em aproximadamente R$ 15 bilhões.
A empresa também negocia a aquisição de uma participação de 40% na construtora Odebrecht, em um movimento relacionado à reestruturação financeira da companhia.
As negociações ainda não equivalem à conclusão das aquisições.
Lobista aponta suposta influência de Lulinha em contratos
As suspeitas ganharam repercussão após Roberta Luchsinger afirmar à CNN Brasil que Fábio Luís Lula da Silva teria participado de articulações envolvendo a ECB.
Segundo a empresária, a construtora teria acumulado cerca de R$ 2 bilhões em contratos no Brasil desde que Amauri Rodrigues Pinha assumiu sua presidência.
Em 2025, a ECB também firmou contrato com a Petrobras para intervenções na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
As declarações de Roberta não demonstram, por si só, que os contratos tenham sido obtidos irregularmente ou que Lulinha tenha interferido em processos de contratação.
A participação de empresas do mesmo grupo econômico em obras públicas na Bahia também não comprova relação entre esses empreendimentos e as acusações feitas pela lobista.
O caso passou a gerar questionamentos sobre possíveis relações entre empresários, agentes públicos e familiares de autoridades, enquanto parlamentares buscam esclarecimentos sobre os contratos federais mencionados.
Até o momento, não foram apresentadas provas públicas conclusivas de que os empreendimentos baianos tenham sido favorecidos por interferência de Lulinha.
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