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Áudio atribuído a presidente dos Rodoviários detalha operação para adesivar ônibus em Salvador; secretário denuncia ataque à família

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Foto: Divulgação / PMS

Um áudio atribuído ao presidente do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, Fábio Primo, que circula nas redes sociais, detalha uma mobilização organizada para adesivar ônibus do transporte público da capital baiana durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25).

Na gravação, à qual o Blog do Vila teve acesso, o dirigente convoca integrantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), distribui responsabilidades por garagens e orienta que os adesivos sejam colocados prioritariamente nos veículos que efetivamente entrariam em circulação.

O conteúdo acrescenta um novo elemento à controvérsia sobre a operação do transporte público no dia da votação, quando ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens para a retirada de propaganda eleitoral irregular.

A crise também teve desdobramentos envolvendo o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que denunciou nesta quinta-feira (29) uma mensagem ofensiva recebida nas redes sociais, na qual um internauta desejou a morte de sua mãe, de 82 anos.

Áudio aponta divisão de tarefas e orientação para adesivar ônibus em circulação

Na gravação, Fábio Primo afirma que a mobilização seria decisiva e atribui à CTB a responsabilidade pela atuação nas garagens das empresas de transporte.

“Esse momento é crucial. A CTB sempre na vanguarda, sempre esteve à frente desses movimentos. Eu quero que todos os grupos estejam lá, mas eu quero que a CTB se responsabilize pelas garagens”, afirma.

O dirigente também informa que o material já tinha sido distribuído e cita integrantes encarregados de receber e repassar os adesivos em diferentes garagens. Em um dos trechos, orienta que os sindicalistas procurem os operadores para identificar quais veículos seriam utilizados naquele dia.

“A gente tem que chegar lá, quando chegar, pegar na mão do operador o número dos carros que vão sair, para a gente colar apenas nos carros que vão sair. Não tem material para todos os carros não, até porque eles não colocam 100% da frota”, diz.

A orientação indica que a ação previa divisão de tarefas e direcionamento dos adesivos aos ônibus que atenderiam a população durante a votação. A utilização de veículos do transporte coletivo para propaganda eleitoral está sujeita às restrições da legislação eleitoral.

A Prefeitura de Salvador sustenta que a operação do transporte foi planejada nos mesmos moldes do primeiro turno. A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), por sua vez, afirmou que a colocação dos adesivos interferiu na operação e exigiu a retirada do material antes da saída dos coletivos.

Secretário denuncia mensagem contra mãe de 82 anos

Em meio à repercussão do caso, Pablo Souza publicou uma mensagem que recebeu em seu perfil nas redes sociais. No texto, o autor escreveu: “Desgraçado!!!! Que sua mãe morra!!!!”.

O secretário também compartilhou imagens do perfil identificado como responsável pelo ataque, que se apresenta como ator e diretor teatral. Na publicação, informou que sua mãe tem 82 anos e enfrenta o Alzheimer.

“Como filho, é profundamente doloroso ver minha família atingida dessa forma”, escreveu.

Pablo afirmou que compreende a obrigação de prestar esclarecimentos e receber críticas por sua atuação como agente público, mas disse que divergências políticas não justificam ameaças ou ataques a familiares.

“Como secretário, compreendo meu dever de prestar contas, ouvir críticas e esclarecer os fatos. Tenho cumprido as determinações da Justiça e confio em uma apuração justa. Mas nenhuma divergência política justifica ameaças ou tamanha crueldade”, declarou.

De acordo com o gestor, a mensagem foi denunciada à plataforma e ele já adota as medidas judiciais cabíveis contra o autor.

Print Ameaca Pablo Souza

Justiça determina investigação sobre operação do transporte

A polêmica teve início no domingo (25), quando ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens de Salvador. Conforme a Semob, os veículos precisaram passar pela retirada de adesivos com propaganda eleitoral do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito com mais de 73% dos votos na capital baiana. Imagens feitas por drones mostraram coletivos retidos nas garagens ao longo do dia.

Em meio à crise, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a determinar a prisão em flagrante de Pablo Souza, que estava em Paris. A decisão foi revogada no dia seguinte. A Corte, no entanto, ressaltou que a revogação não representa absolvição dos envolvidos e que os fatos continuarão sendo investigados.

A Justiça também determinou que a Polícia Federal apure a possível redução de mais de 50% da frota de ônibus da capital no dia da votação. A investigação deverá esclarecer quem determinou a diminuição da oferta do serviço e se houve intenção de dificultar o deslocamento de eleitores. Entre as hipóteses mencionadas estão possíveis crimes eleitorais relacionados a impedir ou embaraçar o exercício do voto e ao descumprimento de ordem judicial.

Após retornar ao Brasil, Pablo Souza afirmou que a prefeitura adotou no segundo turno a mesma estratégia operacional utilizada no primeiro. Segundo o secretário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determinou a disponibilização de 100% da frota de ônibus em nenhuma cidade do país. Ele sustentou que a diferença foi a necessidade de retirar os adesivos dos coletivos antes da circulação e que a situação foi normalizada assim que a Semob identificou impactos na operação.

O episódio também chegou à Câmara Municipal de Salvador. Na terça-feira (27), vereadores protocolaram um pedido de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a redução da frota e apurar eventuais responsabilidades. Até a última atualização, a oposição havia reunido 10 das 14 assinaturas necessárias para a instalação da comissão.

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