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Vorcaro diz que grupo ligado a Jaques Wagner recebia R$ 3 milhões por mês na Bahia

Publicado

em

Pedro Ladeira

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em pagamentos indevidos na Bahia. A declaração consta de uma proposta de colaboração premiada apresentada pelo ex-banqueiro e revelada nesta sexta-feira (25) pelo UOL.

A informação representa uma acusação feita por Vorcaro e não uma conclusão definitiva da investigação. A proposta de colaboração na qual o relato aparece foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo a reportagem. Portanto, as declarações precisam ser tratadas como alegações ainda sujeitas a apuração e eventual comprovação.

Vorcaro cita pagamento mensal de R$ 3 milhões

De acordo com a reportagem, Vorcaro afirmou na proposta de colaboração que havia pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3 milhões destinados ao grupo político relacionado a Wagner na Bahia.

O relato surge em meio às investigações da Operação Compliance Zero, que apuram suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e pessoas relacionadas à instituição.

A revelação acrescenta uma nova frente às suspeitas que já vinham sendo investigadas pela Polícia Federal sobre a relação entre Wagner, pessoas de seu entorno e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master.

PF já investigava supostas vantagens

Antes da divulgação do relato de Vorcaro, a Polícia Federal já havia apontado Wagner como possível beneficiário de vantagens econômicas indevidas relacionadas ao Master. Em junho, o senador foi alvo de busca e apreensão durante uma fase da Compliance Zero.

Segundo documentos da investigação divulgados anteriormente, a PF apura benefícios que, somados, chegariam a pelo menos R$ 8,35 milhões. Entre os elementos investigados estão a negociação de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões em Salvador, transferências de aproximadamente R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada à família do senador, além de despesas e utilização de aeronaves.

Os investigadores apuram se esses benefícios teriam relação com uma eventual atuação política em temas de interesse do Banco Master. Wagner nega ter recebido vantagens indevidas ou atuado para beneficiar a instituição financeira.

Augusto Lima aparece como elo investigado

Para a Polícia Federal, um dos principais personagens na investigação da relação entre Wagner e o Master é Augusto Lima, empresário baiano que foi sócio de Daniel Vorcaro.

Antes de ingressar na estrutura do Master, Lima comandou entidades de servidores que atuavam com crédito consignado na Bahia, entre elas Asteba e Asseba. Ele é descrito nas investigações como próximo de Wagner.

A PF identificou mensagens e outros elementos envolvendo Lima e o senador. Entre os episódios investigados estão a negociação do apartamento em Salvador, viagens e transferências financeiras para uma empresa ligada à família de Wagner.

A defesa de Lima já declarou anteriormente que ele sempre atuou dentro dos limites da lei.

PF apura eventual atuação em pautas de interesse do Master

Outro ponto da investigação é a suspeita de que Wagner possa ter atuado politicamente em assuntos que interessavam ao Banco Master.

Entre os temas analisados pelos investigadores estão discussões relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a ampliação do crédito consignado e a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

A investigação busca esclarecer se houve relação entre eventuais benefícios e a atuação parlamentar. Até o momento, a existência de contatos, pagamentos sob investigação ou relações pessoais não estabelece, por si só, a prática de crime.

Wagner nega irregularidades

Jaques Wagner tem negado as acusações relacionadas ao caso Master. Depois de ser alvo da operação da PF em junho, o senador afirmou não ter recebido vantagens indevidas e sustentou que sua relação com Vorcaro era praticamente inexistente.

A defesa também declarou anteriormente que Wagner não é réu, não foi denunciado e não foi acusado formalmente em processo criminal pelos fatos investigados.

O senador chegou a ser intimado para prestar depoimento à Polícia Federal em agosto, mas a oitiva foi adiada a pedido da defesa, que alegou ainda não ter conseguido acesso integral ao conteúdo necessário da investigação. A defesa afirmou que Wagner pretende prestar esclarecimentos depois de conhecer os elementos reunidos no inquérito.

Proposta de colaboração foi rejeitada

Um ponto importante da nova revelação é que as declarações de Vorcaro estavam inseridas em uma proposta de colaboração premiada que não foi aceita pela PF e pela PGR.

Isso significa que o relato sobre os supostos R$ 3 milhões mensais não deve ser apresentado como fato comprovado. Caberá às autoridades avaliar se existem provas independentes capazes de confirmar ou afastar as afirmações feitas pelo empresário.

A investigação do caso Master permanece em andamento, e as responsabilidades individuais ainda dependem da conclusão das apurações e das decisões das autoridades competentes.

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