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Nunes Marques pede à PF acesso à íntegra dos dados do celular de Daniel Vorcaro

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Alejandro Zambrana/STF

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou oficialmente à Polícia Federal (PF) acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O pedido amplia o número de integrantes da Corte que decidiram consultar diretamente o material apreendido durante as investigações relacionadas à instituição financeira.

Antes de Nunes Marques, os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luiz Fux já haviam solicitado acesso ao conteúdo. Com isso, seis integrantes do Supremo pediram os dados brutos do aparelho.

O material ganhou importância dentro do STF depois que relatórios e mensagens extraídos do celular de Vorcaro passaram a ser considerados em discussões relacionadas às investigações do Banco Master e a referências a ministros da Corte e pessoas próximas a eles.

PF já entregou dados a cinco ministros

Zanin, Gilmar Mendes e Moraes receberam cópias dos dados na segunda-feira (14). Na ocasião, a Polícia Federal informou que as cópias entregues eram idênticas à extração realizada no aparelho e que o material original permanecia sob sua custódia, com mecanismos destinados a preservar sua integridade.

Posteriormente, André Mendonça e Luiz Fux também solicitaram acesso. A PF encaminhou o conteúdo integral aos gabinetes dos dois ministros nesta quinta-feira (17).

Agora, Nunes Marques fez pedido semelhante. Até a publicação da informação, ainda não havia confirmação de que o material já tivesse sido efetivamente entregue ao gabinete do ministro.

Dados do celular estão no centro das discussões no Supremo

O celular de Daniel Vorcaro foi apreendido em 2025 no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

A íntegra do conteúdo passou a ser disputada dentro do STF depois que relatórios produzidos pela PF a partir do aparelho mencionaram contatos e referências envolvendo integrantes da Corte. Zanin argumentou anteriormente que o acesso aos dados era necessário para uma análise completa das informações e para verificar eventuais omissões, contradições ou elementos que não estivessem presentes nos relatórios produzidos pela investigação.

André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, havia manifestado preocupação com a abertura integral do conteúdo naquele momento, sob o argumento de que a inclusão de novos elementos poderia interferir nas investigações em andamento e no julgamento que estava previsto pela Corte.

A Polícia Federal esclareceu que mantém o material original sob sua responsabilidade e fornece cópias aos gabinetes que solicitam acesso, respeitando as determinações do Supremo e as regras de sigilo aplicáveis.

Mensagens também mencionam filho de Nunes Marques

O pedido de Nunes Marques ocorre depois da publicação de reportagens sobre diálogos encontrados no celular de Vorcaro que fazem referência ao advogado Kevin Marques, filho do ministro.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, conversas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, mencionam pagamentos que seriam destinados ao advogado por meio da empresa Consult Inteligência Tributária. As mensagens citam valores mensais de R$ 500 mil.

A existência dessas referências em mensagens não significa, por si só, comprovação de irregularidade ou crime. O conteúdo precisa ser analisado dentro do contexto das investigações, e eventuais responsabilidades dependem da apuração das autoridades competentes.

As informações sobre pessoas mencionadas nos dados do aparelho também não significam necessariamente que elas sejam investigadas ou tenham cometido ilícitos.

Caso Master provoca movimentação no STF

A disputa pelo acesso aos dados ocorre em meio a uma série de discussões internas no Supremo relacionadas ao caso Banco Master.

Cristiano Zanin havia solicitado a disponibilização integral da mídia extraída do celular antes de uma sessão convocada para discutir um relatório da PF envolvendo supostas comunicações entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Zanin argumentou que os ministros precisavam ter acesso ao conjunto das informações para formar suas próprias conclusões.

Gilmar Mendes e Moraes também solicitaram os dados. Depois, Mendonça e Fux fizeram pedidos semelhantes e receberam o material nesta quinta-feira.

Com a solicitação de Kassio Nunes Marques, seis dos onze ministros do STF passam a integrar o grupo que pediu acesso direto ao conteúdo bruto do aparelho de Daniel Vorcaro.

A análise do material ocorre sob sigilo e não significa que todo o conteúdo extraído será tornado público. A PF informou anteriormente que as entregas aos ministros observam as cautelas de sigilo e a preservação da cadeia de custódia.

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