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Rodrigo Alves rebate ex-governador e diz que Maternidade Municipal atende mais pacientes de porta aberta do que reguladas
O secretário municipal da Saúde, Rodrigo Alves, rebateu nesta segunda-feira (15) as declarações do ex-governador e pré-candidato ao Senado, Rui Costa (PT), sobre o funcionamento da Maternidade e Hospital da Criança (MHC) Deputado Alan Sanches.
Durante entrevista à CBN Salvador, o titular da SMS classificou como “absolutamente inverídica” a afirmação de que mulheres precisam de regulação ou agendamento para serem atendidas em casos de parto.
A crítica do ex-ministro da Casa Civil foi feita durante um evento político ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e dos senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD). Na ocasião, o petista ironizou o modelo de atendimento da unidade municipal, que foi inaugurada no último dia 16 de abril.
“Se a mulher chegar agoniada lá, ‘o menino tá saindo’, o vigilante pergunta na porta: ‘Minha senhora, a senhora tem hora marcada? Volte para casa, ligue, marque a hora e volte para a senhora ser atendida’”, acusou Rui.
Na entrevista, Rodrigo Alves reagiu duramente.
“Hoje já temos na Maternidade Municipal mais crianças nascidas por atendimento espontâneo, ou seja, atendimento de porta, do que por pacientes reguladas. São números, não tem como negar”, declarou.
“Perguntem à Secretaria do Estado”
De acordo com o secretário, os próprios dados compartilhados entre Município e Estado demonstrariam que a maternidade recebe diariamente gestantes sem qualquer encaminhamento prévio.
“Pergunte para a Secretaria do Estado. Eles não vão poder falsear os dados. Vão ter que dizer a mesma coisa que estou dizendo. A maternidade municipal funciona exatamente como qualquer outra maternidade. Não existe essa história de atender apenas por regulação”, afirmou.
Rodrigo relatou ainda que a primeira paciente atendida pela unidade chegou antes mesmo da inauguração oficial.
“A maternidade abriria em uma sexta-feira às sete da manhã. Às duas da manhã já atendemos a primeira paciente. Ela veio de Itaparica porque a maternidade de referência estava fechada para reforma. Cinco da manhã a criança nasceu. Antes da abertura oficial, nós já estávamos atendendo mães na porta”, relatou.
Maternidade virou referência para pacientes do interior, diz secretário
Durante a entrevista, Rodrigo Alves também sustentou que a maternidade municipal passou a absorver demandas que deveriam ser atendidas pela rede estadual.
Segundo ele, a maioria dos casos regulados recebidos atualmente vem de municípios do interior.
“De cada três gestantes que recebemos pela regulação, duas vieram do interior do estado. De cada quatro crianças atendidas na UTI neonatal, três vieram do interior da Bahia”, comparou.
Como exemplo, o secretário citou o caso de uma gestante de trigêmeos do município de Itamaraju.
“Ela ficou dez dias aguardando atendimento em Teixeira de Freitas porque o parto era mais complexo. Depois foi regulada para Salvador e conseguimos realizar o parto dos três bebês com segurança”, salientou.
De acordo com Rodrigo, cerca de 70% dos atendimentos realizados atualmente na maternidade são destinados a pacientes de fora de Salvador.
Críticas à regulação estadual
O secretário também aproveitou para reforçar críticas ao sistema estadual de regulação, tema que tem sido explorado pela oposição após auditoria do Tribunal de Contas do Estado apontar crescimento de 213% na fila de espera.
Ao comentar o cenário, Rodrigo afirmou que a situação pode ser ainda mais grave do que os números divulgados.
“Meu sentimento de quem trabalha na ponta é que o número é pior do que esse. Os pacientes permanecem nas UPAs aguardando vagas hospitalares e isso acaba sobrecarregando toda a rede”, disse.
“Absolutamente inverídica”
Questionado diretamente se Rui Costa teria mentido ao afirmar que a maternidade municipal exige regulação para atender a gestantes em trabalho de parto, Rodrigo foi categórico.
“Se a frase foi essa que foi dita, de que a maternidade só atende por regulação e não atende na porta, isso é absolutamente inverídico. Isso é número. Perguntem à Secretaria do Estado e vejam o que eles vão responder”, provocou.
Ao final da entrevista, o secretário ainda rebateu críticas sobre o tempo levado para a construção da primeira maternidade municipal da capital baiana.
“Ouvi ele dizer que levamos 14 anos para construir a primeira maternidade. Mas em 20 anos eles não construíram nenhuma em Salvador. O que fizeram foi administrar estruturas já existentes”, declarou.
Atualmente, a Sesab administra seis maternidades na capital: Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba), localizada em Brotas; Maternidade Albert Sabin, em Cajazeiras; Maternidade de Referência Prof. José Maria de Magalhães Netto, no Pau Miúdo; Maternidade Maria da Conceição de Jesus, em Coutos; Maternidade do Hospital Geral Roberto Santos, no Cabula; e Hospital da Mulher – Maria Luzia Costa dos Santos, no bairro de Roma.
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