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Enquete: base de Jerônimo fecha com Lula, enquanto aliados de Neto se inclinam a Flávio Bolsonaro

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Foto: Feijão Almeida / GOVBA | Betto Jr. / Divulgação

Uma enquete exclusiva realizada pelo Blog do Vila com deputados estaduais e vereadores de Salvador sobre a disputa presidencial escancara um retrato que vai além dos números. Ela revela, sobretudo, como a política baiana está organizada — e desorganizada — quando o assunto é eleição nacional.

No consolidado, Lula (PT) lidera com 47,2% das preferências, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 29,2%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 16%. Os demais nomes têm presença residual, e uma pequena fatia ainda se mantém indefinida .

Em termos gerais:

  • Lula (PT) aparece com 47,2%
  • Flávio Bolsonaro (PL) soma 29,2%
  • Ronaldo Caiado (PSD) tem 16%
  • Romeu Zema (Novo) registra 0,9%
  • Indefinidos / NS / NR chegam a 6,6%

A força institucional de Lula

Na Assembleia Legislativa, onde a base aliada do governador e pré-candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) possui ampla maioria, o apoio ao presidente é dominante.

Mais de 60% dos deputados estaduais ouvidos apontam voto em Lula, uma margem confortável que não apenas garante a liderança, mas consolida a influência do governo estadual no resultado.

  • Lula: 60,3%
  • Flávio Bolsonaro: 19%
  • Caiado: 12,7%
  • Indefinidos: 7,9%

A resistência da capital

O cenário muda quando o olhar se desloca para a Câmara de Salvador. No ambiente favorável ao ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), Flávio Bolsonaro assume a dianteira, com 44,2%, enquanto Lula recua para 27,9%.

É um reflexo direto do perfil político da capital, historicamente mais inclinada à oposição. Ainda assim, há um detalhe que não passa despercebido: mesmo em território adverso, Lula mantém presença relevante, sem ser empurrado para um papel marginal.

  • Flávio Bolsonaro: 44,2%
  • Lula: 27,9%
  • Caiado: 20,9%
  • Zema: 2,3%
  • Indefinidos: 4,7%

A base de Jerônimo: unidade total em torno de Lula

Quando o recorte considera apenas os parlamentares ligados ao governador Jerônimo Rodrigues, o resultado é absoluto: 100% dos aliados do governo estadual declararam apoio a Lula.

São 45 parlamentares (entre deputados e vereadores) posicionados no mesmo campo, sem qualquer dissidência registrada.

Não há ruído, não há divisão, não há margem para dúvida.

O dado não apenas reforça a liderança do petista no consolidado, como evidencia algo mais profundo: a base governista da Bahia opera de forma alinhada entre os planos estadual e nacional.

Os aliados de Neto: maioria bolsonarista, mas com rachaduras

Do lado do ex-prefeito ACM Neto, o cenário é mais heterogêneo — e politicamente mais delicado.

Entre os seus aliados:

  • 31 parlamentares (53,4%) apoiam Flávio Bolsonaro
  • 17 (29,3%) ficam com Ronaldo Caiado
  • 2 (3,4%) declaram voto em Lula
  • 1 (1,7%) declarou voto em Romeu Zema
  • 7 (12,1%) estão indecisos ou não responderam

Ou seja, há maioria clara pró-bolsonarismo dentro do grupo, mas não há unanimidade — nem perto disso.

Partidos dizem uma coisa, lideranças fazem outra

Se os números já chamam atenção, o comportamento partidário torna o cenário ainda mais interessante.

PSD, por exemplo, tem como pré-candidato à Presidência o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ainda assim, na Bahia, todos os seus integrantes ouvidos optaram por apoiar Lula.

O mesmo ocorre com o Avante, que nacionalmente trabalha o nome do escritor Augusto Cury, mas que, na prática, acompanha o líder petista no estado.

No PSOL, a situação também é peculiar. Embora o partido não integre a base do governo Jerônimo Rodriguesseus quadros estão totalmente alinhados com Lula na disputa nacional.

O recado é claro: a lógica nacional dos partidos não necessariamente se reproduz no tabuleiro baiano.

Quando a oposição vota no governo

Talvez o dado mais simbólico da enquete seja outro: Dois aliados diretos do ex-prefeito ACM Neto declararam apoio a Lula.

O movimento reforça algo que já tem sido observado nos bastidores: a dificuldade da oposição baiana em construir um alinhamento nacional homogêneo.

O nó de Neto

É nesse contexto que o ex-prefeito ACM Neto se vê diante de um impasse cada vez mais evidente.

Sua base política, especialmente na capital, majoritariamente aponta para um alinhamento com o campo bolsonarista, refletido no desempenho de Flávio Bolsonaro entre vereadores.

Mas a realidade do eleitorado baiano segue outra direção.

A pesquisa Genial/Quaest mais recente mostra que 47% dos eleitores preferem um governador aliado de Lula, enquanto apenas 16% optam por alguém alinhado a Bolsonaro.

Ou seja, o dilema está posto: Seguir a base política ou seguir o eleitorado?

Entre estratégia e sobrevivência

A dificuldade de Neto em declarar apoio a um nome como Flávio Bolsonaro não é hesitação — é cálculo.

A enquete do Blog do Vila ajuda a entender o por quê.

De um lado, há pressão interna, especialmente entre aliados mais ideológicos. Do outro, há um eleitorado que, majoritariamente, não acompanha o movimento.

No jogo em curso, qualquer passo em falso pode custar caro.

Porque, no fim das contas, a eleição presidencial pode não decidir a política baiana — mas certamente interfere e ajuda a moldar os caminhos de quem quer governá-la.

 

Fonte: Blog do Vila

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