Política
Angelo Coronel não descarta ir para o União Brasil e admite votar no candidato do PSD à Presidência, não em Lula
O senador Ângelo Coronel (PSD) elevou o tom nesta sexta-feira (30), em entrevista à rádio CBN Salvador, e deixou dois recados diretos ao seu próprio partido e à base do governo Jerônimo Rodrigues: não descarta migrar para o União Brasil e, caso o PSD tenha candidato próprio à Presidência da República, seguirá a orientação nacional da legenda — mesmo que isso signifique não apoiar Lula na Bahia.
Questionado diretamente sobre um possível convite do União Brasil — já admitido publicamente por dirigentes do partido — Coronel evitou fechar portas. “Rapaz, eu sempre digo: na vida eu não descarto nada. Quem dá dispensa é o Exército”, afirmou.
O senador confirmou que mantém diálogo frequente com ACM Neto e Bruno Reis, mas disse que qualquer conversa política só ocorrerá após a definição do seu futuro dentro da base governista. “Depois que tiver essa definição, a gente senta para conversar”, pontuou.
Voto pode não ser Lula
O trecho mais sensível da entrevista veio quando Coronel foi perguntado, de forma direta, em quem votaria para presidente caso o PSD lance candidatura própria, cenário hoje desenhado com Ronaldo Caiado.
Ao contrário de Otto Alencar, que já declarou apoio irrestrito a Lula, Coronel afirmou que seguirá o partido. “Eu sou partidário. Defendo o que for decisão do partido. Se tiver 55 lá, coronel não hesita”, disse, em referência ao número do PSD, e completou: “Como é que um candidato a senador pelo 55 vai votar contra o presidente 55?.”
Coronel também demonstrou incômodo com o espaço oferecido ao partido dentro da chapa governista. “Eu não posso aceitar o maior partido da Bahia ficar sendo oferecido a suplência ou vice-governadoria. Isso é um absurdo”, disparou.
Segundo ele, o PSD, por tamanho e força municipalista, não pode ser tratado como coadjuvante: “Eu não estou mendigando vaga. Eu defendo que o partido tenha espaço.”
Negativa sobre “golpe” no PSD
O senador negou ainda especulações de que teria articulado, em São Paulo, uma movimentação junto ao presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, para tomar o comando do PSD da Bahia após a filiação de Caiado.
“Não houve encontro para conspirar contra Otto. Isso é mentira, fake news”, afirmou.
Ele classificou como “sacanagem” qualquer tentativa de retirar Otto da presidência estadual do partido.
PT como “fator de discórdia”
Ao longo da entrevista, Coronel fez questão de afastar qualquer rompimento pessoal com o presidente estadual do PSD, Otto Alencar, e jogou no colo do PT a responsabilidade pelo desgaste interno. Segundo ele, o partido estaria estimulando o conflito para enfraquecer sua posição na disputa pelo Senado.
“O PT quer briga entre eu e Otto. Quer que a gente brigue. Da minha parte não vai ter essa briga nunca”, declarou.
Apesar das especulações sobre acordos alternativos, Coronel garantiu que seu foco é a disputa pelo Senado: “Ângelo Coronel vai brigar pela reeleição. Quem tem que me tirar é a urna, não imposição de gabinete.”
O congressista disse que aguardará até março uma definição do governador Jerônimo Rodrigues antes de tomar qualquer decisão, que será discutida com o seu grupo político.
Fonte: Blog do Vila
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