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Tecnologia e saúde: especialista do IEEE debate desafios e caminhos para o Brasil no Revista CBN O programa Revista CBN Salvador, que vai ao ar todas as sextas-feiras às 14h, recebeu hoje uma convidada especial para discutir um tema estratégico para o país: o uso da tecnologia para ampliar o acesso e melhorar a qualidade do atendimento em saúde. A entrevistada é Suélia Fleury Rodrigues, membro sênior do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), maior organização científica global dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade. Professora Associada IV e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), com pós-doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), ela atualmente atua como Senior Lecturer no Master of Engineering Program da Meinig School of Biomedical Engineering da Cornell University, nos Estados Unidos. A conversa abordau tecnologias como telemedicina, monitoramento remoto e sistemas digitais de apoio à decisão clínica podem transformar o cenário da saúde pública brasileira, especialmente em regiões mais vulneráveis. Segundo Suélia, o Brasil já apresenta avanços importantes na incorporação de tecnologias aplicadas à saúde, especialmente após a pandemia de Covid-19, que acelerou a digitalização de serviços. Ferramentas de telemedicina, prontuários eletrônicos e sistemas de regulação digital ganharam espaço em diversas regiões do país. No Nordeste e na Bahia, por exemplo, já é possível observar iniciativas de telessaúde conectando unidades básicas a centros especializados, reduzindo deslocamentos e ampliando o acesso a diagnósticos e orientações médicas. No entanto, a especialista destaca que os avanços ainda são desiguais e dependem fortemente da infraestrutura local. Para que uma unidade de saúde ofereça atendimento eficiente com apoio tecnológico, é fundamental contar com conectividade de qualidade, equipamentos adequados, prontuário eletrônico integrado e equipes capacitadas. Entre os principais gargalos, Suélia aponta que a conectividade e a formação das equipes costumam ser mais críticos do que a simples aquisição de equipamentos. “Sem internet estável e profissionais treinados, a tecnologia não se sustenta”, reforça. O cenário varia bastante entre os estados: enquanto grandes centros avançam na digitalização, municípios menores ainda enfrentam dificuldades estruturais básicas. A telemedicina ganhou força durante a pandemia e hoje é vista como ferramenta essencial para um país de dimensões continentais como o Brasil. Para regiões remotas, ela pode significar acesso rápido a especialistas, segunda opinião médica e acompanhamento contínuo de pacientes crônicos. Apesar dos avanços regulatórios, a consolidação da telemedicina como política permanente ainda exige aprimoramentos estruturais, investimentos contínuos e marcos regulatórios claros que garantam segurança e qualidade no atendimento. A capacidade técnica do corpo médico brasileiro é reconhecida internacionalmente. O desafio, segundo a especialista, está na adaptação cultural e na formação contínua para o uso das ferramentas digitais. Ainda há certa resistência em alguns segmentos, especialmente quando a tecnologia é percebida como substituta — e não como aliada — do profissional. No entanto, a tendência é de aceitação crescente, principalmente entre as novas gerações de médicos. Um dos grandes desafios é transformar projetos-piloto em políticas públicas permanentes. Muitas iniciativas inovadoras acabam não avançando por falta de financiamento contínuo, integração com políticas públicas ou avaliação de impacto. Para que soluções tecnológicas se tornem duradouras, é necessário planejamento de longo prazo, governança estruturada, indicadores claros de desempenho e integração entre sistemas. Quando o assunto é tecnologia aplicada à saúde em territórios vulneráveis, o letramento digital surge como ponto central. Não basta oferecer plataformas digitais: é preciso garantir que o paciente saiba utilizá-las. Isso exige ações educativas, simplificação das interfaces e estratégias híbridas, que combinem atendimento digital com apoio presencial. A proteção de dados sensíveis é uma preocupação crescente. Para garantir confiança da população, é essencial investir em protocolos de segurança, criptografia e conformidade com a legislação vigente. Além disso, as ferramentas tecnológicas precisam ser adaptáveis às diferentes realidades territoriais do país, respeitando contextos culturais, sociais e estruturais distintos. Se mal implementada, a tecnologia pode ampliar desigualdades já existentes. Municípios com melhor infraestrutura tendem a avançar mais rapidamente, enquanto regiões vulneráveis podem ficar ainda mais distantes do acesso qualificado à saúde. Por isso, a especialista alerta para a necessidade de políticas públicas que priorizem territórios mais carentes e promovam equidade digital. O avanço das tecnologias em saúde depende da atuação conjunta do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil. Parcerias público-privadas podem acelerar a inovação, desde que alinhadas ao interesse público e à sustentabilidade do sistema. Para a sociedade, o papel é duplo: cobrar transparência e eficiência na implementação das tecnologias e também buscar capacitação para utilizar essas ferramentas de forma consciente. “O cidadão pode participar por meio do controle social, dos conselhos de saúde e da cobrança por políticas digitais inclusivas”, destaca. A participação de Suélia Fleury Rodrigues no Revista CBN reforça a importância de discutir tecnologia não apenas como inovação, mas como instrumento de justiça social e ampliação do acesso à saúde. O desafio brasileiro não está apenas em desenvolver soluções tecnológicas, mas em garantir que elas sejam acessíveis, seguras, sustentáveis e capazes de chegar, de fato, a quem mais precisa.
Tecnologia e saúde: especialista do IEEE debate desafios e caminhos para o Brasil no Revista CBN
O programa Revista CBN Salvador, que vai ao ar todas as sextas-feiras às 14h, recebeu hoje uma convidada especial para discutir um tema estratégico para o país: o uso da tecnologia para ampliar o acesso e melhorar a qualidade do atendimento em saúde.
A entrevistada é Suélia Fleury Rodrigues, membro sênior do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), maior organização científica global dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade. Professora Associada IV e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), com pós-doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), ela atualmente atua como Senior Lecturer no Master of Engineering Program da Meinig School of Biomedical Engineering da Cornell University, nos Estados Unidos.
A conversa abordau tecnologias como telemedicina, monitoramento remoto e sistemas digitais de apoio à decisão clínica podem transformar o cenário da saúde pública brasileira, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Segundo Suélia, o Brasil já apresenta avanços importantes na incorporação de tecnologias aplicadas à saúde, especialmente após a pandemia de Covid-19, que acelerou a digitalização de serviços.
Ferramentas de telemedicina, prontuários eletrônicos e sistemas de regulação digital ganharam espaço em diversas regiões do país.
No Nordeste e na Bahia, por exemplo, já é possível observar iniciativas de telessaúde conectando unidades básicas a centros especializados, reduzindo deslocamentos e ampliando o acesso a diagnósticos e orientações médicas. No entanto, a especialista destaca que os avanços ainda são desiguais e dependem fortemente da infraestrutura local.
Para que uma unidade de saúde ofereça atendimento eficiente com apoio tecnológico, é fundamental contar com conectividade de qualidade, equipamentos adequados, prontuário eletrônico integrado e equipes capacitadas.
Entre os principais gargalos, Suélia aponta que a conectividade e a formação das equipes costumam ser mais críticos do que a simples aquisição de equipamentos. “Sem internet estável e profissionais treinados, a tecnologia não se sustenta”, reforça.
O cenário varia bastante entre os estados: enquanto grandes centros avançam na digitalização, municípios menores ainda enfrentam dificuldades estruturais básicas.
A telemedicina ganhou força durante a pandemia e hoje é vista como ferramenta essencial para um país de dimensões continentais como o Brasil. Para regiões remotas, ela pode significar acesso rápido a especialistas, segunda opinião médica e acompanhamento contínuo de pacientes crônicos.
Apesar dos avanços regulatórios, a consolidação da telemedicina como política permanente ainda exige aprimoramentos estruturais, investimentos contínuos e marcos regulatórios claros que garantam segurança e qualidade no atendimento.
A capacidade técnica do corpo médico brasileiro é reconhecida internacionalmente. O desafio, segundo a especialista, está na adaptação cultural e na formação contínua para o uso das ferramentas digitais.
Ainda há certa resistência em alguns segmentos, especialmente quando a tecnologia é percebida como substituta — e não como aliada — do profissional. No entanto, a tendência é de aceitação crescente, principalmente entre as novas gerações de médicos.
Um dos grandes desafios é transformar projetos-piloto em políticas públicas permanentes. Muitas iniciativas inovadoras acabam não avançando por falta de financiamento contínuo, integração com políticas públicas ou avaliação de impacto.
Para que soluções tecnológicas se tornem duradouras, é necessário planejamento de longo prazo, governança estruturada, indicadores claros de desempenho e integração entre sistemas.
Quando o assunto é tecnologia aplicada à saúde em territórios vulneráveis, o letramento digital surge como ponto central. Não basta oferecer plataformas digitais: é preciso garantir que o paciente saiba utilizá-las.
Isso exige ações educativas, simplificação das interfaces e estratégias híbridas, que combinem atendimento digital com apoio presencial.
A proteção de dados sensíveis é uma preocupação crescente. Para garantir confiança da população, é essencial investir em protocolos de segurança, criptografia e conformidade com a legislação vigente.
Além disso, as ferramentas tecnológicas precisam ser adaptáveis às diferentes realidades territoriais do país, respeitando contextos culturais, sociais e estruturais distintos.
Se mal implementada, a tecnologia pode ampliar desigualdades já existentes. Municípios com melhor infraestrutura tendem a avançar mais rapidamente, enquanto regiões vulneráveis podem ficar ainda mais distantes do acesso qualificado à saúde.
Por isso, a especialista alerta para a necessidade de políticas públicas que priorizem territórios mais carentes e promovam equidade digital.
O avanço das tecnologias em saúde depende da atuação conjunta do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil. Parcerias público-privadas podem acelerar a inovação, desde que alinhadas ao interesse público e à sustentabilidade do sistema.
Para a sociedade, o papel é duplo: cobrar transparência e eficiência na implementação das tecnologias e também buscar capacitação para utilizar essas ferramentas de forma consciente.
“O cidadão pode participar por meio do controle social, dos conselhos de saúde e da cobrança por políticas digitais inclusivas”, destaca.
A participação de Suélia Fleury Rodrigues no Revista CBN reforça a importância de discutir tecnologia não apenas como inovação, mas como instrumento de justiça social e ampliação do acesso à saúde.
O desafio brasileiro não está apenas em desenvolver soluções tecnológicas, mas em garantir que elas sejam acessíveis, seguras, sustentáveis e capazes de chegar, de fato, a quem mais precisa.
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