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Osni Cardoso descarta retorno à SDR e diz que pretende priorizar agricultura familiar na Assembleia

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Evilásio Júnior

O deputado estadual reeleito Osni Cardoso (PT) afirmou que pretende concentrar sua atuação parlamentar na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), sem planejar, neste momento, um retorno à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), pasta que já comandou no governo estadual.

Em entrevista à CBN Salvador, o petista disse que pretende aproveitar o novo mandato para defender recursos orçamentários destinados à agricultura familiar, à produção de alimentos saudáveis e à ampliação de políticas públicas voltadas para idosos e mães atípicas.

Osni foi reeleito com 89.356 votos, resultado que, segundo ele, reflete o trabalho desenvolvido ao longo dos mandatos e a presença política em diferentes regiões do estado. O parlamentar afirmou que percorreu os 27 territórios de identidade da Bahia durante a pré-campanha e reuniu demandas da população para orientar sua atuação na Alba.

“Meu planejamento, efetivamente, é estar no parlamento. E uma base cobra por isso. Minha defesa você não pode fazer na Secretaria. Você só faz a minha defesa na minha pauta se você estiver na Assembleia”, declarou.

Embora não descarte a possibilidade de receber um convite do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no futuro, Osni afirmou que não houve conversa sobre seu retorno ao Executivo. Ele acrescentou que pretende ouvir novamente seu grupo político caso surja uma nova proposta.

Agricultura familiar e alimentação saudável entre as prioridades

O deputado afirmou que a agricultura familiar continuará a ser uma das principais bandeiras de seu mandato. Para ele, a discussão precisa ir além do incentivo à produção rural e incluir a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores.

Osni defendeu melhores condições de financiamento para produtores que adotam práticas consideradas mais sustentáveis e propôs que o poder público utilize instrumentos econômicos para incentivar a produção de alimentos com menor uso de produtos químicos.

“Um dos caminhos é facilitar a vida de quem produz alimento limpo no banco, com dinheiro barato, subsidiado de verdade, e eu vou ter que cobrar mais com quem não faz, para dar uma diferença no preço final”, afirmou.

O parlamentar também criticou o modelo de produção que, na avaliação dele, prioriza o uso intensivo de agrotóxicos e defendeu maior responsabilidade da indústria e do agronegócio em relação à qualidade dos produtos comercializados.

De acordo com Osni, as demandas relacionadas à alimentação saudável apareceram durante as conversas que manteve nos territórios baianos. Ele disse que pretende transformar parte das reivindicações em propostas e discussões sobre o orçamento estadual.

Deputado cita demandas de idosos e mães atípicas

Além da agricultura familiar, Osni apontou a necessidade de ampliar a estrutura de atendimento a idosos e de oferecer mais suporte às famílias de pessoas com deficiência ou condições que demandam cuidados específicos.

O petista afirmou que ouviu relatos de famílias que precisam conciliar trabalho, criação dos filhos e cuidados com parentes idosos, muitas vezes sem uma rede de apoio adequada.

“Quem cuida tem que ser cuidado”, resumiu o deputado, ao defender políticas públicas voltadas para as mães atípicas.

Na área da educação, o parlamentar afirmou que pretende apoiar a continuidade da expansão do ensino integral na Bahia e ampliar a oferta de cursos profissionalizantes. Segundo ele, as demandas recolhidas durante a escuta nos territórios deverão orientar sua atuação na definição de prioridades orçamentárias.

PT ainda vai discutir apoio à reeleição de Ivana Bastos

Osni também comentou a sucessão na presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. A deputada Ivana Bastos (PSD), atual presidente da Casa, busca a reeleição, mas o PT ainda não formalizou o seu posicionamento.

O parlamentar revelou que o governador Jerônimo Rodrigues orientou os integrantes do grupo a deixarem a discussão para depois das eleições presidenciais. A primeira conversa interna do PT sobre o tema estava prevista para esta terça-feira (27), com a participação de deputados que já têm mandato e dos parlamentares eleitos para a próxima legislatura.

“A gente vai fazer uma escuta tranquila lá com o pessoal, para saber, porque também não é só a presidência. É o conjunto da Mesa [Diretora]”, afirmou.

Osni disse que pretende ouvir a posição coletiva do partido antes de discutir uma eventual participação na composição da chapa. Ele também destacou o fato de o PT ter 14 deputados estaduais eleitos, um recorde histórico, o que amplia a representação do campo político na Assembleia.

Petista vê espaço para novos nomes na disputa por Salvador em 2028

Questionado sobre a sucessão municipal em Salvador, Osni avaliou que o campo político de esquerda conta com nomes que podem ser discutidos para uma futura candidatura à prefeitura, embora não tenha apontado um favorito.

Entre os nomes mencionados durante a entrevista estavam a deputada federal eleita Olívia Santana (PCdoB), as estaduais Rowenna Brito e Vilma Reis, além da ministra da Cultura, Margareth Menezes, todas do PT.

Osni afirmou que Margareth é um nome a ser observado, mas ponderou que ainda não ouve uma discussão consolidada sobre sua eventual candidatura. Para ele, a definição dependerá de diálogo entre as lideranças e da construção de uma proposta voltada às demandas da capital.

“Eu só acho que o governo tem que cuidar disso, porque está na hora de Salvador ter uma opção diferente”, declarou.

O deputado também avaliou que a votação expressiva de candidatos do campo da esquerda na capital durante as eleições de 2026 indica a existência de espaço para discutir alternativas políticas para o município. Ele, porém, ressaltou a necessidade de articulação para definir um nome e construir uma proposta comum.

Fonte: Blog do Vila

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