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Mensagens de Vorcaro citam filha de Otto e aliado de Wagner em negócios ligados ao Banco Master

Publicado

em

Agência Senado

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam negociações comerciais com Isadora Alencar, filha do senador Otto Alencar (PSD-BA), e Guilherme Sodré, conhecido como Guiga, apontado pela PF como pessoa de confiança do senador Jaques Wagner (PT-BA).

As conversas ocorreram antes da deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que levou à prisão de Vorcaro. Os diálogos envolvem uma tentativa de aquisição da startup Ecoari, com atuação em Salvador, e negociações para a compra de obras de artistas brasileiros.

Documentos obtidos pela Folha de S.Paulo também apontam que a B3, a Bolsa de Valores do Brasil, comunicou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em três ocasiões, movimentações que envolvem ativos da Ecoari custodiados pelo Banco Master que seriam incompatíveis com o porte da empresa.

Filha de Otto negociou investimento na Ecoari

Em setembro de 2024, Isadora Alencar entrou em contato com Vorcaro para tratar dos próximos passos de uma possível aquisição da Ecoari. Na mensagem inicial, ela informou que havia recebido o contato do ex-banqueiro por intermédio de uma pessoa identificada como Ciro, apontada como provável referência ao advogado Ciro Soares, próximo à família Alencar.

O encontro foi marcado para o dia 17 daquele mês. Na ocasião, Isadora também enviou uma lista com nomes de empresas e pessoas. Uma semana depois, ela informou que a abertura de uma conta havia sido concluída, embora o contrato ainda não tivesse sido assinado.

Cinco dias depois, a empresária comunicou a assinatura do contrato e o repasse de recursos pelo banco, agradecendo a Vorcaro pela confiança e parceria. Em seguida, perguntou se poderia procurar alguém da instituição financeira para discutir uma estratégia de investimento de parte do dinheiro.

O ex-banqueiro indicou um contato e sugeriu a aplicação em um CDB com liquidez, para que os recursos permanecessem disponíveis caso fossem necessários.

À Folha, Isadora afirmou que a movimentação financeira mencionada se refere a um empréstimo regular contratado pela empresa junto ao Banco Master, dentro das regras legais. Ela também declarou que as conversas tinham conteúdo profissional e que a Ecoari atua com base em princípios de legalidade, integridade, transparência e governança.

Segundo Isadora, a aquisição da startup não chegou a ser concretizada.

B3 fez alertas ao Coaf sobre valores custodiados

Os documentos citados pela reportagem apontam que a B3 alertou o Coaf, em outubro e novembro de 2024, de que a Ecoari mantinha mais de R$ 9 milhões em ativos custodiados no Banco Master.

O registro indicava que o volume de recursos seria incompatível com o patrimônio estimado da empresa, considerada de pequeno porte a partir das informações cadastrais disponíveis.

Em setembro de 2025, houve um terceiro alerta, dessa vez relacionado a aproximadamente R$ 2,8 milhões em ativos custodiados.

No mesmo período, Isadora enviou uma mensagem a Vorcaro em que agradece pela presença dele em uma comemoração de aniversário e pelos presentes recebidos. O ex-banqueiro respondeu com uma mensagem afetuosa, referindo-se aos Alencar como “família querida”.

As mensagens também mostram que, ao longo do segundo semestre de 2024, Isadora compartilhava com Vorcaro informações sobre menções à Ecoari em revistas, participação em eventos em Brasília e possíveis parcerias comerciais.

Aliado de Jaques Wagner negociou obras de arte

Outras conversas extraídas do celular de Vorcaro envolvem Guilherme Sodré, o Guiga, apontado pela Polícia Federal como pessoa de confiança e articulador político de Jaques Wagner.

Segundo a PF, ele teria atuado para aproximar o núcleo empresarial do Banco Master do entorno do senador petista. Guiga também é pai de Eduardo Sodré, enteado de Wagner e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia.

Em julho de 2024, Guiga enviou a Vorcaro informações e imagens de obras de artistas brasileiros, entre elas Ouro Preto, de Alberto da Veiga Guignard, e Casamento na Roça, de Cândido Portinari.

Ao receber as imagens, Vorcaro elogiou as pinturas. Guiga respondeu que as obras eram ainda mais bonitas pessoalmente. As conversas também incluem convites para visitas a galerias, cafés e encontros relacionados ao mercado de arte.

Em agosto daquele ano, após uma ligação telefônica de aproximadamente dois minutos, Guiga encaminhou a Vorcaro o número de telefone de Jaques Wagner e desejou boa sorte ao ex-banqueiro.

Wagner nega relação com Vorcaro

Na ocasião mencionada pela reportagem, Jaques Wagner era líder do governo Lula no Senado. Ele deixou a função em junho, após ser alvo de uma operação que o apontou como suspeito de receber pagamentos relacionados ao Banco Master.

Wagner afirmou anteriormente que sua relação era com Augusto Lima, ex-sócio do banco, e que havia encontrado Vorcaro apenas duas vezes.

Em nota, a defesa do senador negou que ele tenha conversado com Vorcaro no episódio em que Guiga encaminhou seu telefone. O advogado Pablo Domingues afirmou que Wagner não tem relação com o ex-banqueiro nem atuou em favor dos interesses do Banco Master.

A defesa acrescentou que o senador não pode responder por conversas de terceiros das quais não participou e cujo contexto desconhece.

Já Otto Alencar, aliado de Wagner e vice-governador na segunda gestão do petista à frente do governo baiano, havia declarado ao jornal O Globo, em setembro, que não esteve com Vorcaro.

Procurados pela Folha na terça-feira (6), Otto Alencar e Guilherme Sodré não se manifestaram, segundo a reportagem.

 

Por: Blog do Vila

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