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Após vídeo, escritório de esposa de Moraes confirma uso de jatinho de empresa ligada a Vorcaro

Publicado

em

Antonio Augusto/Secom/TSE

O escritório Barci de Moraes, que tem entre suas sócias a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, confirmou que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa que teve ligação societária com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A manifestação ocorreu após a divulgação de um vídeo em que Moraes e Viviane aparecem desembarcando de um jatinho ligado à companhia.

Segundo o escritório, a utilização das aeronaves ocorreu por meio da contratação comercial de serviços de aviação e não seria resultado de relação pessoal com Vorcaro ou com proprietários dos aviões. A banca também afirmou que o ex-banqueiro não esteve presente nos voos realizados por seus integrantes.

As imagens foram registradas em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O vídeo mostra Moraes e Viviane deixando um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Segundo as reportagens que revelaram o registro, a aeronave estava vinculada a uma empresa ligada a Vorcaro.

Escritório confirma contratação da Prime Aviation

Em nota divulgada neste domingo (20), o Barci de Moraes informou que utiliza serviços de táxi aéreo oferecidos por diferentes companhias e reconheceu que a Prime Aviation esteve entre as empresas contratadas.

A banca afirmou que a escolha das aeronaves utilizadas nas viagens é feita pelas próprias empresas de aviação civil responsáveis pela prestação do serviço. Segundo o escritório, as contratações seguem critérios operacionais e não envolvem relações pessoais com proprietários ou operadores das aeronaves.

O escritório também declarou que, em alguns desses voos, Viviane foi acompanhada pelo marido, Alexandre de Moraes.

A nota acrescenta que Vorcaro e pessoas externas ao escritório não estiveram nos voos feitos pela equipe da banca em aeronaves da Prime Aviation. A empresa de advocacia também nega ter contrato de prestação de serviços jurídicos com a companhia aérea ou ter adquirido participação societária na empresa.

Vídeo mostra casal desembarcando no Rio

A manifestação ocorreu depois da divulgação, pela coluna de Lauro Jardim, de O Globo, das imagens registradas em agosto do ano passado.

No vídeo, Moraes e Viviane aparecem desembarcando no Aeroporto Santos Dumont. Segundo as informações divulgadas pelos veículos que tiveram acesso ao registro, o avião utilizado era o Legacy 650 PP-NLR.

A Prime Aviation atuava no segmento de compartilhamento e operação de aeronaves. Vorcaro manteve participação na empresa por meio de estruturas societárias ligadas a seus negócios.

A divulgação do vídeo ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master e à análise de mensagens e documentos extraídos do celular de Vorcaro.

Declaração anterior de Moraes volta ao centro do caso

O registro também trouxe de volta uma manifestação anterior do gabinete de Alexandre de Moraes.

No fim de março deste ano, após reportagem sobre viagens realizadas em aeronaves relacionadas ao ex-banqueiro, o gabinete de Moraes negou que o ministro tivesse utilizado aviões de Vorcaro. Na ocasião, classificou como falsas as informações publicadas e afirmou que Moraes jamais havia viajado em avião de Vorcaro ou na companhia do empresário.

Agora, o escritório de Viviane confirma que Moraes esteve em determinados voos contratados pela banca e realizados em aeronaves operadas pela Prime Aviation. A explicação apresentada é que o serviço contratado era de táxi aéreo e que a definição do avião utilizado cabia à empresa de aviação.

O escritório também faz uma distinção entre viajar em uma aeronave vinculada empresarialmente a Vorcaro e viajar acompanhado do ex-banqueiro. Segundo a nota divulgada neste domingo, Vorcaro não esteve presente em nenhum desses voos.

Escritório de Viviane teve contrato com Banco Master

A relação comercial entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master já havia se tornado pública anteriormente.

A banca prestou serviços jurídicos ao banco antes da liquidação da instituição pelo Banco Central. Um contrato firmado em janeiro de 2024 previa pagamentos que poderiam chegar a aproximadamente R$ 131 milhões caso fosse integralmente executado.

As investigações também passaram a analisar informações sobre uma negociação posterior envolvendo empresas relacionadas a Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, documentos indicariam um segundo acordo no valor de R$ 50 milhões, firmado em 2025, com previsão de que parte dos honorários fosse quitada por meio de participações em empresas ligadas à operação de aeronaves.

O escritório contesta essa interpretação. Em manifestação apresentada ao STF, Moraes também negou a existência desse segundo contrato nos termos apontados pela investigação.

A apuração continua, e a existência de contratos, mensagens, viagens ou referências nos materiais apreendidos não representa, isoladamente, comprovação de irregularidade.

Caso Master segue provocando repercussão no STF

As informações sobre os voos aparecem em um momento de forte repercussão do caso Master dentro do Supremo.

Nos últimos dias, ministros solicitaram acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. O conteúdo inclui mensagens, documentos e outros registros que estão sendo analisados no contexto das investigações.

No caso específico das viagens, a posição apresentada pelo Barci de Moraes é de que houve uma relação comercial de contratação de táxi aéreo, sem vínculo pessoal decorrente dos voos e sem a presença de Vorcaro.

O vídeo, por outro lado, documenta que Alexandre de Moraes e Viviane utilizaram pelo menos uma das aeronaves relacionadas à empresa ligada ao ex-controlador do Banco Master, ponto agora reconhecido pelo próprio escritório.

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