Brasil
União Europeia oficializa veto à importação de carne brasileira a partir de setembro
A União Europeia (UE) oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar diversos produtos de origem animal para o bloco econômico. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro de 2026 e afeta diretamente setores importantes do agronegócio brasileiro, incluindo as cadeias de carne bovina, carne de frango, pescado, mel e outros produtos de origem animal.
O que muda com a decisão
O veto foi formalizado por meio do Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, publicado pelas autoridades europeias. Com a nova norma, o Brasil deixa de integrar a lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal para os 27 países membros da União Europeia.
Além das carnes bovina e de aves, a restrição também alcança:
- Produtos de aquicultura;
- Mel e derivados;
- Tripas e subprodutos de origem animal;
- Equídeos destinados ao consumo.
A medida entra em vigor após um período de transição de aproximadamente três meses.
Motivo do veto
Segundo as autoridades europeias, a decisão está relacionada a preocupações sanitárias envolvendo o uso de antimicrobianos na produção pecuária brasileira. A UE afirma que determinados medicamentos utilizados na criação de animais não atendem aos padrões estabelecidos pela legislação europeia para segurança alimentar e saúde pública.
O bloco sustenta que as exigências buscam reduzir o risco de resistência antimicrobiana, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das principais ameaças à saúde global.
Governo brasileiro reage
O governo brasileiro informou que pretende atuar diplomaticamente para reverter a decisão. Desde maio, representantes do Ministério da Agricultura e do Itamaraty vêm mantendo diálogo com autoridades sanitárias europeias para apresentar informações técnicas e demonstrar a conformidade dos sistemas brasileiros de controle e fiscalização.
A expectativa é que novas negociações ocorram antes da entrada em vigor do veto, na tentativa de evitar impactos maiores sobre as exportações nacionais.
Impactos para o agronegócio
Especialistas avaliam que a medida pode gerar prejuízos significativos para frigoríficos e produtores brasileiros que têm a União Europeia como mercado consumidor de produtos com maior valor agregado.
Apesar disso, o bloco europeu representa apenas uma parcela das exportações brasileiras de carne, tendo mercados como China, Estados Unidos e países do Oriente Médio entre os principais destinos da produção nacional. Ainda assim, o veto pode afetar a competitividade do setor e exigir a busca por novos compradores internacionais.
Mercosul não foi afetado integralmente
A decisão chama atenção porque Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia. Dessa forma, o veto foi direcionado exclusivamente ao Brasil, afastando a interpretação de que a medida esteja relacionada ao acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia.
Próximos passos
Até setembro, o governo brasileiro deverá intensificar as negociações técnicas e diplomáticas com autoridades europeias para tentar reverter ou flexibilizar a decisão. O setor produtivo também acompanha as discussões, diante da possibilidade de impactos econômicos e da necessidade de adequação a eventuais novas exigências sanitárias.
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