Política
Zé Cocá afirma que deixou prefeitura sem promessa de cargo e aposta em ‘motivação’ de ACM Neto
O ex-prefeito de Jequié e pré-candidato a vice-governador na chapa de ACM Neto (União Brasil), Zé Cocá (PP), afirmou que decidiu renunciar ao mandato sem qualquer promessa de cargo ou espaço futuro em um eventual governo oposicionista.
Em entrevista à CBN Salvador, o progressista disse que aceitou o convite por acreditar que o ex-prefeito de Salvador está “pronto e preparado” para governar a Bahia.
Segundo ele, não houve negociação por secretaria, protagonismo ou qualquer compensação política.
“Eu não iria jamais chegar para Neto e dizer: você vai me dar uma secretaria, vai me dar isso. Eu digo: meu irmão, eu quero trabalhar. Vamos trabalhar. Vamos ganhar as eleições e juntos mudar a Bahia”, afirmou. “Quando eu sentei com Neto, eu vi duas coisas que me marcaram: um cara pronto e preparado. Um cara que sentou comigo e disse: eu quero mudar a Bahia. E olhou no meu olho e me deu motivação”, declarou.
Cocá destacou que poderia ter permanecido no comando municipal, onde foi reeleito com mais de 90% dos votos, ou até disputar outro cargo em 2026, mas preferiu apostar no projeto.
“Graças a Deus, eu estava organizado em Jequié. Sou prefeito de uma cidade de médio porte, tive 92% dos votos. Eu não precisava sair para isso. Poderia ficar mais três anos no mandato, poderia ser candidato a deputado, mas não fui porque vi um projeto”, disse.
Ao comentar as críticas de aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), o pepista afirmou que não pretende entrar em embates pessoais e defendeu uma campanha baseada em propostas.
“A grosseria das pessoas não leva ninguém a canto nenhum. Eu não aprendi a fazer política assim. Acho que arrogância e prepotência precedem a queda”, enfatizou.
O ex-prefeito também rebateu as declarações de Rui, que o chamou de “traidor”. Segundo Cocá, ele nunca recebeu convite direto de Jerônimo para ser vice, mas confirmou que houve conversas com integrantes do MDB e com interlocutores ligados à base.
“Eu nunca disse que fui convidado pelo governo, mas o partido tinha essa liberdade e me convidou para fazer essa composição. Eu agradeci, mas não me encaixava no projeto porque eu não me identificava”, pontuou.
Ao justificar a escolha pela oposição, Cocá voltou a citar a falta de obras estruturantes prometidas pelo governo para Jequié e região. Segundo ele, projetos como o aeroporto regional, o sistema de irrigação e um novo polo industrial ficaram apenas no discurso.
“Se o governador veio em abril do ano passado, você tem um ano para sinalizar, iniciar e dizer: vou fazer. Mas chega abril deste ano e você não tem nada iniciado, nada licitado, nada projetado”, criticou.
O ex-prefeito ainda fez duras críticas à segurança pública, à regulação da saúde, à educação e ao excesso de cargos políticos em áreas técnicas. Também afirmou que, se for eleito vice-governador, não pretende manter uma estrutura de segurança pessoal robusta.
“Todo prefeito de Jequié tinha direito a guarda municipal acompanhando. Meu primeiro ato foi acabar com isso. Nunca tive um guarda à minha disposição. Acho um absurdo um vice ter 30, 40 ou 50 policiais enquanto municípios pequenos têm 12 policiais para a cidade toda”, declarou, sem citar nominalmente o atual ocupante do posto, Geraldo Júnior (MDB).
Confira a entrevista na íntegra:
Fonte: Blog do Vila
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