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Política

Ivana recusa vice de Jerônimo, MDB volta ao páreo, Rui eleva tensão com Wagner e Neto marca piseiro com Cocá

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Matheus Landim / GOVBA
Matheus Landim / GOVBA

A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos (PSD), decidiu recusar o convite para ocupar a vice na chapa à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), movimento que reconfigura o tabuleiro político da base governista para 2026.

A decisão, segundo apuração do Blog do Vila, não foi impulsiva — e passa diretamente por um projeto pessoal e político bem definido.

Ivana quer disputar a reeleição como deputada estadual e, mais do que isso, sonha em conquistar a presidência da Alba no próximo biênio com votos dos próprios colegas. A avaliação é de que uma eventual candidatura a vice interromperia o plano.

Além disso, a parlamentar, que foi a mais votada da Bahia em 2022, com mais de 118 mil votos, trabalha com a expectativa de ampliar sua base eleitoral. Além do risco de derrota na majoritária, um detalhe pesa: ela não possui herdeiros políticos diretos, o que dificulta abrir mão da própria candidatura.

Lista tríplice esvazia e expõe interesses cruzados

Com a saída de Ivana do páreo, os outros nomes da lista tríplice apresentada pelo PSD revelam interesses distintos — e condicionantes claros.

O ex-presidente da Alba, Adolfo Menezes, por exemplo, já articula a candidatura da esposa, Denise Menezes, a deputada estadual e mira, nos bastidores, uma indicação futura ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), prevista para ocorrer até o meio do ano.

Já o deputado Alex da Piatã admite topar o desafio de ser vice, mas impõe barreiras: quer garantias de que seu espólio eleitoral seja suficiente para eleger sua esposa, Genivalda Pinto, que entraria na disputa pela Alba em seu lugar. Apesar da disposição e do aval do partido, ele ainda não foi procurado pelo governo.

MDB ganha força e pode manter vice

Diante do cenário, cresce na base governista a leitura de que a vaga de vice deve permanecer com o MDB.

A avaliação ganhou força após uma reunião realizada no último domingo (15) entre Jerônimo Rodrigues e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, uma das principais lideranças da legenda no estado.

Apesar disso, o encontro ainda é cercado de versões conflitantes.

Há quem diga que não houve deliberação concreta e que o governador buscou apenas reforçar o discurso de diálogo com o partido, sem tratar objetivamente da composição da chapa.

Outra ala sustenta que Jerônimo quer manter o atual vice, Geraldo Júnior, mas tem ganhado tempo diante da resistência interna — sobretudo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que rejeita o nome.

O MDB, por sua vez, tem sido enfático nos bastidores: não aceitará imposições. A legenda quer indicar um nome “orgânico” e não abre mão de protagonismo na composição.

Risco nacional entra no radar

A disputa pela vice extrapola os limites da Bahia.

Parlamentares governistas ouvidos pelo Blog do Vila avaliam que uma eventual saída do MDB da base de Jerônimo — com migração para o grupo de ACM Neto — pode ter impacto direto no cenário nacional.

Isso porque o MDB baiano é visto como um dos pilares de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste.

Caso a legenda se alinhe aos 17 diretórios estaduais que resistem à aliança com o governo federal, a reeleição de Lula passaria a ser considerada um cenário de risco real — com reflexos diretos na disputa na Bahia.

Rui x Wagner vira epicentro da crise

Nos bastidores, porém, há um fator ainda mais explosivo: a disputa interna entre Rui Costa, que tenta emplacar o Avante para “equilibrar” a força de influência na chapa, e o senador Jaques Wagner, defensor da manutenção do MDB.

Aliados relatam que Rui tem se reunido com prefeitos do interior e admitido uma composição pragmática: apoio ao senador Angelo Coronel (Republicanos) para uma das vagas ao Senado, desde que o segundo voto seja destinado a ele.

A leitura dentro do próprio grupo é dura: há o risco de o PT eleger apenas um senador — com um dos dois sendo “aniquilado” politicamente.

Enquanto Wagner atua como articulador e tenta manter a unidade do grupo, Rui é visto por aliados como um elemento de convulsão permanente. Não só a saída de Coronel do PSD e da base governista, mas também a tensão com o MDB é atribuída a ele.

Nos corredores, inclusive entre petistas, cresce a percepção de que o ministro tem contribuído para o acirramento da crise — inclusive com vazamentos que atingem diretamente o senador.

Um dos episódios recentes envolve a denúncia publicada pelo portal Metrópoles sobre a atuação empresarial da nora de Wagner, Bonnie de Bonilha, em parceria com o empresário Daniel Vorcaro. A florista é casada com o secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Sodré, enteado do senador petista, e teria recebido R$ 36 milhões em repasses do Banco Master.

O acesso à informação teria a digital do ministro, conforme relatos de governistas.

ACM Neto avança e monta chapa com data marcada

Do outro lado, a oposição se movimenta com mais previsibilidade.

A entrada do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), na chapa de ACM Neto (União Brasil) já é tratada como certa nos bastidores.

Segundo aliados, há inclusive calendário definido: o anúncio deve ocorrer no próximo dia 26, durante um evento de “piseiro” em Jequié.

Já a apresentação completa da chapa, inclusive com os candidatos ao Senado — Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) — está prevista para o dia 30, em Feira de Santana.

 

Fonte: Blog do Vila

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