Política
Muniz implode PSDB, tensiona relação com Bruno Reis e vira alvo da base de Jerônimo
Insatisfação com chapa do PSDB, pressão pela candidatura do filho e rumores de convite da base governista transformam presidente da Câmara em nova incógnita da política baiana
A política baiana ganhou mais um capítulo de tensão neste fim de semana. O presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), decidiu abrir uma crise dentro do próprio partido ao anunciar que Carlos Muniz Filho não será mais candidato a deputado federal pela legenda.
A decisão pegou aliados de surpresa e desencadeou uma série de especulações nos bastidores — que vão desde uma simples insatisfação eleitoral até uma possível aproximação com o governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Nos bastidores, no entanto, o episódio está longe de ser uma narrativa linear.
Irritação começou em reunião com Bruno
A crise começou após uma reunião realizada na sexta-feira (13) entre Muniz, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e o presidente estadual do PSDB, Adolfo Viana.
Aliados relatam que o presidente da Câmara saiu irritado ao perceber que vereadores que antes haviam sinalizado apoio à candidatura do filho poderiam ser lançados candidatos a deputado federal, o que reduziria o potencial eleitoral do herdeiro político.
Uma fonte ouvida pela coluna revelou que o assunto dominou as conversas durante o aniversário do vereador Marcelo Guimarães Neto (União Brasil), evento que reuniu cerca duas dezenas de vereadores, deputados estaduais e federais, além do próprio prefeito.
“A fofoca lá era que ele estava insatisfeito porque tiraram votos dele. Alguns vereadores que apoiariam o filho dele seriam candidatos”, contou um interlocutor.
Pressão mal calculada?
Entre aliados do próprio grupo político, há quem avalie que Muniz errou na forma como conduziu o movimento.
Um dirigente ouvido pela coluna afirma que a defesa da candidatura do filho é compreensível, mas que a forma escolhida acabou por agravar o problema.
“Ele tentar garantir a viabilidade do filho é natural. Qualquer pai faria. O problema foi a forma. Ele quis botar pressão e acabou criando uma situação muito ruim. Quando está chateado fala coisas duras e agora tem um problema para resolver”, disse uma fonte.
Promessas mirabolantes?
A movimentação também alimentou rumores de que Muniz poderia ser atraído para a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), com direito a ofertas generosas.
Nos corredores políticos, porém, a história é tratada com muito ceticismo.
“Disseram que ofereceram Secretaria de Saúde, vice-governadoria e até a Agerba. Mas sinceramente não acredito. Ele vem sozinho? Sem partido? Não tem força para oferecerem tudo isso”, afirmou um aliado de peso da base governista.
Ainda assim, a simples possibilidade de migração já foi suficiente para provocar tremores no tabuleiro político.
A conta realmente não fecha?
Dentro do PSDB também há perplexidade.
Alguns integrantes da legenda dizem não entender o tamanho da reação do presidente da Câmara, já que a projeção eleitoral da chapa tucana continuaria favorável.
“Pelo que eu soube, a chapa faz três deputados. Sendo assim, o filho dele entraria com certeza. Claro que Bruno sempre projeta as contas lá em cima, mas mesmo em contas mais realistas, se fizer dois, ele e Adolfo estariam eleitos”, avaliou uma fonte do partido.
A dúvida, segundo aliados, é que nem todos tiveram acesso à nominata final, o que deixa margem para diferentes interpretações sobre o potencial eleitoral.
PSDB lembra cargos e mandato
Outro ponto que causa estranheza entre tucanos é que Muniz mantém forte presença na estrutura da Prefeitura de Salvador, comandada por Bruno Reis.
Aliados lembram que o grupo do presidente da Câmara controla a Transalvador, além de possuir indicados na Arsal e na Secretaria Municipal de Saúde.
Além disso, uma eventual saída do PSDB pode gerar disputa jurídica.
“Uma coisa é o filho dele sair candidato por outro partido. Outra coisa é ele sair. Se sair agora, o PSDB pode pedir o mandato”, disse um integrante da sigla.
Podemos observa de longe
Enquanto a poeira não baixa, outros partidos observam a movimentação com atenção.
O Podemos aparece como uma das possibilidades para abrigar a candidatura de Carlos Muniz Filho.
Procurado pela coluna, o presidente estadual da legenda, Heber Santana, evitou antecipar qualquer negociação, mas deixou a porta aberta.
“Não conversei com ele. Mas se realmente houver possibilidade de vir, será muito bem-vindo”, afirmou.
A grande incógnita
Em meio a tantas versões, uma certeza começa a se consolidar entre os observadores da política baiana: o episódio abriu uma crise inesperada dentro do grupo que comanda Salvador.
O problema é que, por enquanto, nem mesmo os aliados mais próximos conseguem prever qual será o próximo movimento de Carlos Muniz.
Entre a pressão pela candidatura do filho, os ruídos com o prefeito Bruno Reis e as especulações de aproximação com Jerônimo Rodrigues, o presidente da Câmara acabou por criar uma equação política difícil de resolver.
E, como costuma acontecer na política, a conta pode acabar sendo paga apenas em 2027.
Fonte: Blog do Vila
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